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Ciência luta para se manter em tempos sombrios


Com cortes orçamentários muito significativos, sem qualquer direção ou proposta de política governamental para o enfrentamento das crises acumuladas, as universidades brasileiras enfrentam um dos momentos mais difíceis em sua trajetória. As manifestações contundentes das autoridades universitárias e das lideranças científicas mais proeminentes parecem se desfazer no ar.


As classes médias, costumeiramente prontas a reagir a situações ameaçadoras dos seus direitos, como é o caso atual, parecem anestesiadas. Talvez chocadas pelos efeitos devastadores da pandemia sobre seu trabalho, seus empreendimentos, seus investimentos, inclusive no futuro dos filhos. Talvez deprimidas pelas perdas humanas que o descaso, a boçalidade e a má fé governamentais produziram.


Uma tentativa de reagir a este quadro é fortalecer a produção e difusão do conhecimento científico, espraiar respostas científicas objetivas que abrem caminhos de saída da crise sanitária (na pesquisa de vacinas e remédios, por exemplo) e perspectivas de envolvimento político prático no fortalecimento das instituições nacionais de ensino e pesquisa.


E a universidade se fortalece como espaço do debate argumentado e da pesquisa séria em todas as áreas. Vão aqui duas notas exemplares sobre como este trabalho se faz com qualidade.


1. A defesa de tese de André Vieira, cujo texto vai estar integralmente disponível no site do LAPES em breve, é um resultado muito positivo dos investimentos na formação de todos os seus estudantes feitos pela PPGSA/IFCS/UFRJ e da competência e esforço deste estudante em particular. Esta tese investigou o papel da diferenciação qualitativa do ensino superior para a heterogeneidade dos retornos do diploma universitário no mercado de trabalho no Brasil. Avaliou-se também o efeito da origem social e da formação universitária sobre os resultados no mercado de trabalho. Sem querer dar spoiler, o estudo analisa como a heterogeneidade de resultados dos egressos no emprego formal pode ser explicada pelas diferentes características da formação no ensino superior, incluindo as áreas de estudo e o tipo de instituição frequentada. Verifica também como as desigualdades sociais nos retornos ao diploma no emprego formal se relacionam às diferenças qualitativas na formação no ensino superior. Enfim, um texto que merece ser lido. Mais ainda, o vídeo da defesa da tese é um exemplo maravilhoso do que é o bom debate acadêmico, bem-informado e respeitoso. Tudo que está fazendo muita falta nos dias de hoje.



2. A proposta de seminário e o convite para apresentações e filiações, da Society for Research into Higher Education é uma iniciativa louvável de congregar estudos em todo o mundo sobre os rumos que a universidade pode vir a tomar a partir da superação da pandemia. https://srhe.ac.uk/conference-2021


EXCELENTES RAZÕES PARA OTIMISMO. MESMO COM TEMPO NUBLADO.

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